Guarapuava, 13 de outubro de 2019
#curta!

Em cartaz nos cinemas de todo o Brasil, “Coringa” conta as origens do arqui-inimigo do Batman em uma versão violenta e impactante. Na pele do Palhaço do Crime, o ator Joaquin Phoenix tem uma interpretação visceral diante dos olhos do espectador

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Com a chegada de “Coringa” (2019), os filmes baseados em quadrinhos de super-heróis (principalmente Marvel/DC) ganharam uma nova dimensão. A dimensão do humano.

Parafraseando Harold Bloom, o filme dirigido por Todd Phillips (aquele mesmo de “Se beber, não case!”) acaba de inventar o humano no “filme de gibi”. Em outras palavras, o novo longa-metragem revela nesse universo heroico as diversas camadas que formam os “demasiados humanos”.

Curiosamente com um “vilão” e não um mocinho. Ou melhor, com um personagem que se tornaria o pior inimigo do Batman nos quadrinhos da DC Comics.

Para quem não está entendendo bulhufas, vale um resumão: em cartaz desde o último dia 3 de outubro, “Coringa” tem como foco a tragicômica vida de Arthur Fleck (Joaquin Phoenix), um “zé mané” que tenta ganhar a vida fantasiado como palhaço. Por exemplo, ele fica na frente das lojas, segurando um cartaz de propaganda.

Se não bastasse essa vida miserável, Arthur ainda tem problemas mentais, vive recluso e cuida de sua idosa mãe. Em seu íntimo, ele sonha em se tornar um comediante de stand up.

Mas, claro, tudo sempre pode piorar. O protagonista da narrativa vive uma espiral decadente: apanha na rua, sofre com uma involuntária risada, perde o emprego e... bom, as coisas tendem a engrossar.

É o chamado “filme de origem”, ou seja, que revela o surgimento de um personagem inspirado nos quadrinhos. No caso, o Palhaço do Crime, o grande antagonista das histórias do Batman, combatente do crime criado por Bill Finger e Bob Kane em 1939.

Ao longo de duas horas de filme, o espectador toma contato com as motivações que levaram o pacato Arthur a se tornar o psicótico Coringa.

Não se engane, pois ele não está achando graça nenhuma! (Foto: Divulgação)

ARTE

Da atuação visceral de Joaquin Phoenix ao estilo impactante da narrativa, “Coringa” sobe muitos degraus na evolução do chamado “filme de gibi”. É praticamente uma obra de arte nesse subgênero cinematográfico.

Muito além de fazer um simples longa-metragem de ação, o diretor Todd Phillips (não é mentira, ele fez mesmo “Se beber, não case!”) construiu uma obra atordoante e comovente, em um arco dramático que investiga a origem do caos e da violência.

Pela ótica do filme, a “tremenda comédia” que é a vida de Arthur Fleck explica em parte o surgimento daquele que se tornaria um criminoso insano e psicótico, verdadeiro pesadelo para Gotham City e pedra no sapato de Batman. Mas isso não significa também que o Coringa tem de ser tratado como um “coitadinho”, uma pobre vítima do sistema.

Logicamente, o personagem representa, na estética do filme de Phillips, um pária social, um desvalido que perdeu tudo. No entanto, ele é também um criminoso, pois provoca desordem social e se utiliza da violência desmedida para punir seus desafetos. Digamos que ele escolhe o caminho tortuoso para fazer o seu tipo de justiça.

Longe de se tornar cúmplice do vilão, a narrativa do longa apresenta aos espectadores as situações passadas por Arthur nessa caminhada na direção da loucura e da criminalidade.

Em uma atuação visceral, Joaquin Phoenix se transfigura para viver o protagonista de "Coringa" (Foto: Divulgação)

ATUAÇÃO

É difícil dizer qual é a melhor versão do Coringa nos cinemas. São situações diferentes. Por exemplo, os atores Jack Nicholson (no “Batman” de 1989) e Heath Ledger (“Batman - O Cavaleiro das Trevas” de 2008) eram coadjuvantes que roubaram a cena (ou um filme todo) sob a maquiagem do Palhaço.

Já Joaquin Phoenix é o protagonista de “Coringa”. Ou seja, teve um tempo maior na telona para compor sua persona.

Mesmo assim, a atuação de Phoenix é memorável e merece todos os prêmios possíveis. O ator se transfigura para encarnar as diversas fases no desenvolvimento do personagem, indo do sensível Arthur ao violento Coringa.

SERVIÇO

Em Guarapuava, “O Coringa” tem sessões diárias às 16h30, 17h30 e 19h (dublado); também às 20h e 21h30 (legendado).

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